A sombra das montanhas esquecidas

Para não me ver partir, Rafael escondeu o rosto contra a terra, e ficou assim, imóvel, como morto, estendido na erva seca. Dolorosamente separei-me dele, deixando-o ali, no insuportável silêncio da ribeira. Ferida, dilacerada no mais profundo da minha alma, retomei o caminho da aldeia. Por cima das montanhas o céu esta va negro, ameaçador, e o ar esta va coberto com um forte cheiro a tempestade e a amoras selvagens. Em meu redor, as folhas mortas de Setembro caíam tristemente sobre a terra. Rafael ainda estava ali, só, e eu caminhava, caminhava em direcção à sua ausência. Ele partia para as colónias, para aquela guerra que já tinha matado Francisco, Albino, 0 irmão de Carlos, e tantos outros que eu não conhecia. Eu temia por Tino, por Florêncio. Um dia, também eles acabariam por embarcar nesse satânico barco branco. « Maldita seja a guerra!,» gritei, « maldito seja esse monstro que para não morrer devora o sangue e a came da vida!...» 

 

Edicão Campo Das Letras - Porto 2007.

 

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O Vale Dos Heróis

Gabriel é um rapazinho que vive no vale do Côa com a mãe, a irmã e o avô, no doce inocência da infância. Mas chega um dia em que já não quer ser criança, que ser um homem. E, como diz o avô, antes de ser um homem há que ser um herói.

Gabriel começa uma viagem iniciática e mística com o objectivo de reencontrar a alma de um vale ainda virgem de toda adestruição humana e centro de uma das maiores polémicas dos últimos anos na sociedade portuguesa : construir-se uma barragem que iria desenvolver a região ou manter fora de água as pinturas rupestres que tornam o vale do Côa um achado arqueológico único na Europa ?

 

Publicações Europa-América - Lisboa 2000.

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A Cor da Ausência

Katia, professora de Russo, vem a Paris para rever Florence, sua amiga de sempre. Arrenda um estúdio no centro da cidade. Tudo parece normal e, no entanto, instala-se  um clima especial, cada vez mais perturbador, indissociável de um certo correio azul que vem alterar o equilibrio desta mulher, fazendo oscilar o seu destino.

A Cor da Ausência é uma história singular onde seguimos o rasto de uma alma inquieta que a paixão leverá para além de todos os limites.

 

Publicações Europa-América - Lisboa 2001.

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Os Sonhos de Rafael

Omega - 2015

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A agitação dos sonhos

Campo Das Letras - 2004

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Horas Azuis

"... Alice Machado exprime em muitos do seus poemas não só uma difusa, mas constante, nostalgia da infância, como o desejo muito forte de um retorno à inocência. Propõe mesmo, em termos singelos e idealistas, uma espécie de meditação ou paragem do mundo, de abandono, da febre do lucro e da vitória, do frenesim das grandes cidades, em favor do diálogo com os sonhos e as visões da criança que habita o homem." Urbano Tavares Rodrigues.

Calendário de Letras - 2015 - WOOK 

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